sábado, 18 de junho de 2022

Morrer na Praia (01)




A praia é uma imensa ampulheta de areia, escorrendo o tempo. Quando está deserta percebemos como ela era antes de nós, há milhões de anos, e como ela será quando já cá não estivermos. Cada um de nós, e todos nós. Chegámos, trazidos pela maré, como os barrotes e as garrafas vazias. Pedaços de um naufrágio remoto. Vivemos o tempo efémero das gaivotas. Alguém sabe como morrem as gaivotas? Esperam quietas no areal até que venha uma onda maior para as levar? Se tu partires antes de mim, vou aguardar no areal que a maré te lance de novo à praia. Um braço de cada vez, num brilho do quartzo. - Projecto analógico para o MEF em 2019

 

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